
13/2/11Entrevista inédita com Rita Lee
De vez em quando a nossa Querida dá umas pausas no Twitter, é mesmo muito cansativo responder a perguntas nada originais ou, pior ainda, grosseiras. No post passado, temos um exemplo de como followers podem ser sem noção, machistas, etc.
Há, entretanto, também vida inteligente, amigável e respeitosa nos tweets. Frederico Capone que o diga, pois soube utilizar do veículo para uma entrevista de muito bom tom com Ela. O projeto era pessoal e para ficar restrito por lá, mas pedi à Rita para ser publicada aqui e ela, gentilmente, autorizou.
Segue, em primeira mão. Agradeço à Rita e a Frederico.
Quando a senhora era estudante, quais matérias que mais gostava?
Não sei se algumas matérias ainda existem… Eu gostava de História, Filosofia, Geometria, Desenho, Geografia, Francês, Conhecimentos Gerais, Português e Educação Física.
A senhora foi uma aluna que sofreu algum tipo de “perseguição”, tanto por parte de outros alunos como de professores?
Tive uma professora de Matemática, dona Marlene, que adorava me reprovar. Sempre ficava de segunda época e por mais que eu fosse péssima na matéria conseguia passar de ano. Mas cheguei a repetir a primeira série ginasial por causa daquela vaca!
Como a senhora analisa a atual situação do Ensino no Brasil?
Sem adulações você é um dos poucos a escrever textos, no Twitter, sem erros homéricos de Português. Percebo que a garotada de hoje, não se interessa por Cultura, de um modo geral. No meu tempo os estudantes davam um duro danado para aprender a História do Egito, estudar métodos filosóficos, onde ficava a Indonésia, ler todo o tipo de livros e apresentar resumo, etc. Hoje tem o Google, né?
A senhora sempre teve o desejo de ser Artista?
Não. Foi um hobby, que se transformou em profissão.
A senhora estudou em um Colégio Francês, o Liceu Pasteur. Já pensou em lançar um CD cantando em francês?
Você sempre me pergunta quando vou gravar “Mania de você” em francês, né? Realmente ela ficaria linda, mas regravar minhas músicas não faz muito sentido para mim.
A senhora, como mãe, foi e é “linha dura”? E como avó?
Crianças têm que aprender as suas fronteiras, onde acaba a delas e começa a das outras, caso contrário viram monstrinhos que só os pais acham engraçadinhos. Como mãe, acho que fui “linha média”. Quando 3 garotos se juntam, hay que tener um chicotinho à mão. Já como avó, faço a “linha escrava”. Ás vezes dou uns latidos, mas não mordo.
Durante sua carreira artística, quais foram os maiores obstáculos que teve que enfrentar?
O maior foi ser mulher e fazer rock. No meu tempo, diziam que tinha que ter culhão para tanto. Acho que provei que com útero e ovários também se faz.
Como a senhora lida com as críticas? Já recebeu alguma que, realmente, foi construtiva e colaborou, de forma positiva, em alguma mudança na sua carreira?
A maioria dos críticos é de artistas frustrados, gostariam de ser você. Eu percebo quando o crítico realmente ouviu meu trabalho e comentou com sinceridade. Estas levo em consideração. Fica tão evidente quando leio uma do tipo, “não ouvi e não gostei”.
A senhora pertence a uma geração onde sexo, drogas e rock in roll estavam associados a uma série de atitudes como, por exemplo, a criatividade, a contestação, a rebeldia, ideologia, estilo de vida, etc. Na sua opinião, as recentes gerações “encaretaram” ou o sexo, drogas e rock in roll banalizaram-se e viraram apenas produtos?
Outros tempos, meu filho. Vivíamos numa ditadura castradora e claustrofóbica. Usar drogas, fazer sexo e tocar rock era uma forma de respirar ares de liberdade. Hoje a rebeldia é o bom mocismo hipócrita.
A “pirataria”, realmente, só prejudica o Artista ou também ajuda na divulgação do seu trabalho?
Prejudica pra caramba. Mas entendo que o preço de um produto oficial não esteja de acordo com o poder aquisitivo da maioria das pessoas.
O chamado “Jabá” ainda é uma prática muito forte de “divulgação”? O que a senhora pensa sobre o uso dessa prática?
Já virou parte na divulgação de um trabalho, as gravadoras nem pensam em mudar o jogo.
A sua luta contra os maus tratos aos animais e em defesa da Natureza são antigas. Como a senhora analisa a atuação do Ibama e as atuais Leis Ambientalistas no Brasil?
O Ibama é uma politicalha malandra que faz vista grossa na hora de defender animais e preservar áreas de riscos. A máfia do circo, com animais, deve ter escorregado uma boa graninha para o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama liberarem. Nenhum circo no mundo usa animais, só o Brasil.
A senhora tem um senso de humor invejável, que nem sempre é compreendido. Em sua opinião, o humor está em extinção ou está faltando discernimento para compreendê-lo?
No Twitter tem muita criançada que leva o que eu digo ao pé da letra ou interpreta errado, já me acostumei com isso.
O que a senhora acha das redes sociais e, em especial, do Twitter?
Rola de tudo no salão, terrorismo e amor, reclamações e agradecimentos, solidão e amizades, burrices e espertezas. Ás vezes dou um tempo, depois acabo voltando, fico com saudades dos meus amiguinhos.
A senhora poderia falar um pouco sobre seus novos projetos de trabalho?
Estou trabalhando em dois projetos paralelos: Bossa and Movies, completando a trilogia Bossa and Roll e Bossa and Beatles. O outro é só com músicas inéditas, que garimpamos desses anos todos sem lançar disco novo e compondo sem parar.
Tomado pela emoção, agradeço-lhe pela entrevista belíssima a mim concedida. Foi uma honra realizar esta entrevista, muito obrigado.
Agradeço a este Nobre Jornalista, Prêmio Pulitzer Brasileiro, por me conceder a chance de responder suas nobres perguntas.FONTE:Rita Lee por Norma Lima - Blog oficial do Fã Clube Rita Lee
Publicado desde 09/09/2006

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